Nem todos os doentes com fibrilhação auricular têm queixas. Contudo, infelizmente também há doentes que têm sintomas desde muito cedo. No caso do Mário, tem sintomas desde os 16 anos. Começou ocasionalmente com batimentos curtos e muito rápidos durante os jogos de futebol e foi-se transformando, cada vez mais, em tonturas e pulsação irregular. O diagnóstico foi feito há 11 anos. Entretanto já fez vários tratamentos cardíacos, entre os quais duas ablações que são procedimentos cirúrgicos utilizados em caso de alterações no ritmo cardíaco[1]. O Mário toma medicação para os sintomas e consulta o seu médico regularmente para fazer exames e sentir-se acompanhado. Como é que o Mário decide em relação aos seus tratamentos? Apresentamos-lhe algumas sugestões.

1ª sugestão: preparo sempre bem as minhas consultas

“O meu diagnóstico deu azo a muitas perguntas. Não sabia o que era a fibrilhação auricular. Além da informação que recebi do médico, também fiz as minhas próprias pesquisas. Procurei informação na Internet, por exemplo, proveniente de ensaios clínicos. Atualmente, também faço pesquisas antes das minhas consultas. Assim estou melhor preparado e também posso participar na conversa mais facilmente. Também tiro fotografias a informações que encontro pois permite-me levá-las comigo e mostrá-las ao médico, como orientação.”

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2ª sugestão: as escolhas de tratamento são feitas em conjunto

“Depois da minha primeira ablação, acreditava que a alteração no ritmo cardíaco estava controlada. Mas há três anos, uns dias antes do Natal, voltei a ter problemas e até foi preciso chamar uma ambulância. Na sequência das queixas, agendaram de imediato uma crioablação[2]. Neste procedimento, são feitas pequenas marcas nas veias pulmonares através de um processo de congelamento.[3] Era uma situação urgente e não houve muito tempo para poder escolher ou refletir. O procedimento foi bem-sucedido, mas as queixas persistiram e estão a ser investigadas. Acredito que o médico se empenha a 100% por mim, como seu doente, e que também irá considerar alternativas. Mas acho ótimo ser envolvido na escolha dos tratamentos e que o meu médico me apresente diversas alternativas e as discuta comigo. Isso dá-me mais confiança. Porque é que o tratamento selecionado é o melhor para mim? Quais são as vantagens e os riscos? Com o passar dos anos, passei a ter receio do meu próprio corpo e da minha saúde.”

3ª sugestão: fazer ouvir a sua voz

“Gostaria de poder dizer que não deixarei de dar a minha opinião caso não esteja de acordo com uma decisão do médico em relação a um tratamento, mas, para já, ainda não coloquei isso muito em prática. Contudo, planeio passar a ter um papel mais ativo no diálogo com o meu médico, mesmo que tenha dúvidas em relação a situações como queixas ou sintomas. E se encontrar informação na Internet, quero apresentá-la ao meu médico. Há de certeza muito a ganhar na partilha da tomada de decisões, com dois papéis a desempenhar. O do médico, em prestar-me informação suficiente e escutar-me. Mas também o meu papel, de ser claro quanto ao que me preocupa e o que é importante para mim.”

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[1] Calkins H, et al. 2017 HRS/EHRA/ECAS/APHRS/SOLAECE expert consensus statement on catheter and surgical ablation of atrial fibrillation. Heart Rhythm. 2017;14 (10):e275-e444.

[2] Yacoub M, et al. Cryoballoon Pulmonary Vein Catheter Ablation of Atrial Fibrillation. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2020. Available at https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK534804/. Accessed March 13, 2020.

[3] Singh A, et al. Cardiac Catheter Ablation for Heart Rhythm Abnormalities. JAMA. 2019;321(11):1128. doi:10.1001/jama.2018.9832.